Enap realiza 2º Encontro da Rede de Mulheres Negras Líderes do Setor Público e celebra trajetória, potência e futuro da liderança negra
Grupo que reúne de todo o país é um espaço vivo de conexão, fortalecimento e transformação institucional.
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A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) promoveu o 2º Encontro da Rede de Mulheres Negras Líderes do Setor Público, iniciativa que nasceu da parceria entre a Enap, o Ministério da Igualdade Racial e a Fundação Lemann, no âmbito dos programas Programa de Formação de Iniciativas Antirracistas (FIAR) e Programa de Formação e Iniciativas Feministas (FIF).
O encontro, realizado na última quinta-feira (12), na sede da Enap, em Brasília (DF), reuniu lideranças de diferentes regiões do país em um dia de troca, afeto, reconhecimento e fortalecimento institucional.
A presidenta da Enap, Betânia Lemos, abriu o evento destacando o sentido da iniciativa para o Estado brasileiro. “Esse encontro nasceu do nosso compromisso em fortalecer a presença de mulheres negras nos espaços de decisão. Vocês representam a potência de ocupar o Estado com diversidade e propósito.”
Betânia também reforçou o papel central da cooperação institucional com o MIR. “O Ministério da Igualdade Racial tem sido um grande parceiro da Enap. Essa caminhada conjunta é fundamental para garantir que mais mulheres negras ocupem os lugares que historicamente lhes foram negados.”
Betânia também ressaltou a importância da rede como espaço de pertencimento, afirmação e permanência. “Mesmo quando recebemos uma excelente formação, o caminho até a liderança continua sendo difícil. Por isso a rede é tão essencial: para apoiar, encorajar e lembrar que abrir caminhos importa — e que ninguém precisa caminhar sozinha.”
Na sequência, a secretária de Políticas de Ações Afirmativas do MIR, Marcilene Garcia, destacou que a trajetória das mulheres negras no Estado é marcada por desafios estruturais, mas também por conquistas e resistência.
“Somos talentos que não podem ser desperdiçados. A mudança da realidade depende também da nossa presença — mas não precisa ser à custa do cansaço e da sobrecarga”, afirmou. Ela reforçou ainda o compromisso do MIR com políticas afirmativas, ampliação das cotas e ações estruturadas de formação antirracista.
Os dados mostram o cenário apontado pela secretária: no início de 2025, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), 45,65% dos servidores públicos federais eram mulheres, mas apenas 17,66% delas eram mulheres negras — um recorte que evidencia como esse grupo, embora numeroso, segue distante das posições de maior influência.
A sub-representação se agrava nos espaços de poder: em cargos estratégicos de chefia, direção ou assessoramento, mulheres negras correspondiam a cerca de 2,5% do total, aproximadamente 14 mil servidoras em todo o país.
Estudos recentes reforçam o mesmo padrão: elas seguem minoria nas faixas mais altas de remuneração e nos postos de maior prestígio, ocupando apenas cerca de 9% dos cargos de natureza especial, como secretarias executivas e subchefias, e apenas 11% dos cargos de chefia no setor público federal em 2023.
Esses dados dimensionam, com clareza, a urgência de iniciativas como o Fiar e da atuação conjunta entre Enap e MIR para ampliar presença, garantir permanência e fortalecer trajetórias de liderança.
A diretora de Educação Executiva da Enap, Iara Alves, explicou que a rede surgiu da necessidade de reconhecer a interseccionalidade de gênero e raça nos espaços de liderança e de criar um ambiente seguro de fortalecimento mútuo. “Quando estamos em rede, somos mais fortes. Essa é a primeira rede de lideranças oficialmente estruturada dentro da Escola — e isso é histórico”, celebrou.
Iara Alves destacou ainda que a iniciativa nasceu em 2023, dentro dos cursos exclusivos do Fiar, e se consolidou ao longo do ano com encontros virtuais, mentorias coletivas e atividades formativas.
Para Alessandra Benedito, vice-presidente de Equidade Racial da Fundação Lemann, o encontro reforça a importância da coletividade entre mulheres negras para a representatividade nos altos cargos do setor público. “Precisamos reconhecer a potência dessa Rede, porque a gente fala de força, ressalta a possibilidade de, juntas, irmos cada vez mais longe. A gente consegue ter onde se apoiar e dar continuidade a essa caminhada.”
A programação contou com presenças inspiradoras, como Zara Figueiredo, Secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI) no Ministério da Educação (MEC), e a jornalista Basília Rodrigues.