Nas Trilhas Temáticas, o painel reuniu especialistas na manhã desta quinta-feira para debater o uso de ferramentas tecnológicas, como a Inteligência Artificial, para gerir programas e ações governamentais

A transformação digital modificou a economia global radicalmente nas últimas décadas. Mesmo que haja financiamento público, foi um movimento puxado pelas empresas do setor privado. O desafio para os próximos anos é a adoção das melhores práticas de inovações tecnológicas pelos governos do mundo todo. Hoje pela manhã, a Semana de Inovação 2020 realizou um debate virtual com especialistas internacionais, nas Trilhas Temáticas, para discutir “o que é inovação dentro do governo?”. 

“Acho que tem um desafio muito tecnológico e precisamos duas vezes mais do poder computacional que temos para contribuir neste caminho”, disse Chuy Cepeda, cofundador e CEO da OS City. Segundo ele, até pouco atrás havia poucas pessoas trabalhando na área de desenvolvimento de tecnologias para órgãos de governo. A situação está mudando em ritmo acelerado. A inteligência artificial, por exemplo, cresce muito e até coloca em jogo questões políticas e privacidade.  

“A inteligência artificial é comunista, pois você não pergunta a opinião das pessoas. E essa seria a ideia da democracia. Então quando você pergunta qual é o papel do coletivo, o grande lance seria convidar o coletivo para redesenhar o cenário”, afirmou Cepeda. “Talvez não estejamos abrindo um caminho para os cidadãos. O cidadão não se dá conta que ele faz parte desse coletivo. Temos que entender a seriedade disso e como podemos contribuir com isso.” 

Amy J. Wilson, do Aspen Institute Tech Policy Hub, trabalhou na Casa Branca dos Estados Unidos e percebeu que um dos maiores desafios eram questões aparentemente simples e já conhecidas, como as compras governamentais. Segundo ela, as operações no setor público precisam ser transparentes, fiscalizadas e eficiência do gasto público. E é para alcançar esses objetivos que a tecnologia virou uma aliada. “Hoje eu sou consultora de tecnologia e minha missão é promover mudança através do diálogo para poder abordar os maiores desafios do nosso tempo,” explicou.

Visão transdisciplinar

Clarissa Rojas, do Global Futures Council Fellow no Fórum Econômico Mundial, ressaltou a importância de se ter uma abordagem transdisciplinar e um olhar para todos os grupos no processo de inovações com tecnologia no setor público. “As evidências científicas precisam ser mais aceitas por todos. Se falarmos em mudanças climáticas, por exemplo, imaginem quantos dados científicos precisamos fazer para provar que os políticos precisam mudar as políticas em relação às mudanças de clima”, observou.  

Segundo ela, muitas vezes as políticas públicas carecem de análises aprofundadas e evidências científicas. “Quando eu decidi trabalhar com diversas organizações como Unesco, ministérios e outras governanças internacionais, identifiquei que sempre faltava fundamentar uma abordagem mais científica dos temas. E foi por isso que resolvi me aprofundar e colaborar com o meu conhecimento no trabalho que venho desempenhando com governos”, explicou.

Amy J. Wilson concordou com Rojas sobre o uso de abordagens transdisciplinares e citou o exemplo da sigla VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo, em português). “Não existe somente uma abordagem que vai resolver o problema, mas são várias as abordagens que precisamos usar. Exemplo: como que eu, como uma pessoa privilegiada, posso criar projetos para pessoas que não têm acesso a recursos diversos? Para isso não acontecer, precisamos trazer essas pessoas para a criação de projetos. Temos que mudar esse poder de lugar e fazer projetos para as pessoas interessadas nas políticas”, falou. 

Segundo Clarissa Rojas, “as políticas públicas são construídas através de dados, que vem das pessoas. Estamos usando as ferramentas sociais e usamos todos os dados que temos”. Ela sugeriu, ainda, que todos os servidores públicos analisem seus potenciais acadêmicos em seus contextos de trabalho e cidades que moram. “Estamos fazendo pesquisas cientificas e os dados que vocês fornecem podem ser utilizados por nós. Vocês podem nos informar dialogarmos e encontrarmos soluções conjuntas. O futuro será mais humano e será através da colaboração”, recomendou.

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