Presidente da Dataprev, Gustavo Canuto, apresentou os desafios e os avanços tecnológicos para identificar milhões de pessoas que precisaram do auxílio emergencial e do programa de manutenção do emprego

Nos primeiros meses da pandemia de Covid-19, o governo se defrontou com um desafio de proporções inéditas: encontrar os trabalhadores informais que realmente necessitavam receber o auxílio emergencial de R$ 600, por conta da pandemia e seus efeitos na atividade econômica. No calor da hora, começou uma operação de guerra em busca de informações em diversos órgãos governamentais. Coube às áreas de tecnologia no governo levantar bases de dados e cruzar milhões de cadastros.

“Foi um grande aprendizado para o governo neste ano, porque as situações da pandemia podem ser repetir e precisaremos de dados sempre atualizados”, disse o presidente da Dataprev, Gustavo Canuto, que participou hoje pela manhã do debate “O papel da tecnologia em tempos de crise”, na Semana de Inovação 2020. Sua palestra foi uma oportunidade para relatar os detalhes de um trabalho que usou maciçamente tecnologia na análise de 22 bases de dados e 151 milhões de cadastros de pessoas. 

O efeito do auxílio emergencial tem sido visto, no mundo todo, como uma das ações mais ágeis, inovadoras e efetivas para garantir a renda das pessoas mais vulneráveis durante a pandemia e para evitar o pior na economia. “O governo passou a conhecer 30 milhões pessoas que antes eram invisíveis para as políticas públicas. Sabemos agora quem são, quantos filhos tem cada família, qual a faixa de renda dela”, contou Canuto, que dividiu a mesa virtual com Carlos Santiso, Sílvio Meira e Letícia Piccoloto. 

Segundo o presidente da Dataprev, o trabalho feito durante a pandemia exigiu muita tecnologia e certamente mudou a percepção das pessoas em relação à qualidade e à agilidade dos serviços públicos. “O cidadão passa a ter mais confiança no governo, percebe que conta com uma rede proteção nesses momentos de crise e com ações que minimizam os impactos”, afirmou Canuto. Um dos traços mais marcantes foi a agilidade com que os serviços puderam estar disponíveis à população. 

Tecnologia a favor de políticas públicas melhores

Além do auxílio emergencial, Gustavo Canuto citou outros serviços que a Dataprev trabalhou para o atendimento das pessoas na pandemia: a viabilização do programa de preservação do emprego que beneficiou 9,8 milhões de trabalhadores formais, a carteira de trabalho digital e o aplicativo “Meu INSS” para pagamento de benefícios sociais – apresentados também na Semana de Inovação, no Palco Holofote como iniciativas inovadoras. “O cidadão pode perceber que o Estado estava presente para atendê-lo. Isso foi possível porque a tecnologia aproximou o governo e o cidadão”, acrescentou. 

Para Canuto, os ganhos obtidos com recursos tecnológicos permanecem e mudam o perfil de atendimento público. Um exemplo citado por ele são alguns processos do INSS que demoravam até 45 dias para ter um resultado e agora são praticamente instantâneos. O trabalho com auxílio emergencial gerou uma parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) para identificação de fraudes, prevenção de casos ilegais e cancelamento de benefícios pagos indevidamente.   

O trabalho feito na pandemia por órgãos públicos como a Dataprev foi elogiado por Silvio Meira, professor e cofundador da Digital Strategy Company e Porto Digital. Segundo ele, o pagamento do auxílio só foi possível graças ao “sacrifício” de servidores que trabalharam dia e noite. “A tecnologia que se desenvolve ao longo de uma crise deve ser transferida para a vida das pessoas e incorporada pelos governos. Essa não foi a última crise de pandemia, e vamos enfrentar outras mais”, disse Meira.   

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