Painel contou com a participação de especialistas com visões e reflexos sobre a  educação nos próximos anos

 O que esperar do futuro pós-pandemia para a educação? Como construir um futuro melhor para a educação com priorização de recursos e eficácia do gasto público? Como romper os desafios impostos diante de realidades tão distintas? A aprendizagem antes, durante e pós-pandemia foi um dos temas mais debatidos ao longo da Semana de Inovação 2020.

Para discutir os papéis do estado e da iniciativa privada na educação básica, a Semana reuniu um grupo de especialistas com visões e experiências distintas para contar suas experiências e contribuições sobre as mudanças que a educação passou durante a pandemia e quais os reflexos disso para os próximos anos. 

O primeiro desafio para o Brasil, aponta o professor da Universidade Regional de Blumenau, Eduardo Deschamps, é o tamanho do país. De acordo com ele, “a estrutura federativa dificulta a organização, a gestão articulada e o regime de colaboração entre os entes”. Outro problema apontado pelo docente, está relacionado a legislação brasileira, “que é muito amarrada, uma vez que elimina a capacidade de gestão”. “Em um país de dimensões continentais, como o Brasil, o estabelecimento de um real regime de colaboração é fundamental para que se garanta equidade no processo educacional em todo o seu território”, disse.

Mas o problema vai além do tamanho do país, aponta o titular da Cátedra Insper Palavra Aberta, Fernando Schüler: “O problema está em como é feita essa gestão. Schüler concorda que o Brasil é um país continental e diverso, mas defende que a Constituição foi sábia em criar um sistema misto de gestão educacional. “Conforme explicita o artigo 213 da Constituição, os recursos para a educação devem ser destinados às redes próprias, da forma que cada gestor pudesse decidir qual o melhor modelo para a gestão”.

“Hoje existe uma apartheid na educação no Brasil, mas é preciso fazer o que a constituição autorizou e garantir o acesso universal à educação, um direito fundamental, com qualidade”. 

“Existem dois "Brasis" escondidos nos dados do Pisa. Temos um pouco de Bélgica e um tanto de Índia”.

Ele lembrou ainda que o Brasil continua com desempenho ruim e aparece entre as 20 piores colocações no ranking das três áreas analisadas pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), principal avaliação da educação básica no mundo. As avaliações do Pisa analisam o desempenho escolar de alunos de 15 anos dos países participantes em três aspectos principais: leitura, matemática e ciências. 

A partir de uma visão externa, o professor de Economia na Universidade George Mason, Bryan Caplan, defende que o governo precisa diminuir os gastos com educação. Em seu mais recente livro, "The Case Against Education" (O caso contra a educação), ele parte da premissa que a escola formal e a educação universitária são em grande parte um grande desperdício de tempo e de dinheiro.

Em escolas e universidades de todo o mundo, ele vê material irrelevante sendo ensinado a alunos desinteressados. A partir de observações das instituições americanas, Caplan afirma que “milhares de alunos fazem disciplinas que eles jamais vão usar na vida real”.  

Entre os seus argumentos, ele questiona o papel que a educação formal desempenha na sociedade contemporânea e afirma que os americanos passam muito tempo na educação formal “não para aprimorar a habilidade dos alunos, mas para certificar sua inteligência, ética de trabalho e conformidade”. Em outras palavras, fornecer diplomas inúteis que podem atestar a empregabilidade e sinalizar as qualidades de um bom funcionário num mercado de trabalho que valoriza as notas acima do conhecimento. 

Futuro

“Para 2021, com o retorno das atividades normais, teremos o uso da tecnologia melhor aproveitado nas escolas a partir da experiência que tivemos neste ano”, afirma Deschamps. “Teremos que lidar com os desafios do passado e com os novos desafios que se apresentam. Avançamos no modelo híbrido de ensino (virtual/presencial), mas é investir na formação de professores e constituir um ambiente de abertura para a inovação, em sintonia com as mudanças da sociedade neste novo século”, destaca.

Fernando Schüler defende que é preciso fazer uma análise empírica, com base em evidências, para descobrir quais são os modelos mais eficientes e encontrar os melhores modelos de gestão. “Existem muitas alternativas, mas é preciso ter uma visão agnóstica, e analisar, com base em dados, quais os modelos de gestão educacional mais eficientes para aplicarmos aqui”, opina.

Finalizando o debate, Caplan disse que, quando a pandemia passar, é importante observar que, com a internet e a tecnologia, será possível promover uma educação mais barata. “Há uma esperança de que haverá um futuro melhor e a tecnologia nos ajudará nisso”.

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