Presidente da Enap participou do debate virtual nas Trilhas Temáticas, da Semana de Inovação 2020, que reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para avaliar as tendências da área educacional no pós-Covid

 

A pandemia do coronavírus provocou mudanças radicais de rotinas e métodos de ensino em todos os segmentos da área de Educação. E esse movimento não foi diferente nas escolas de governo do Brasil e do mundo afora. Hoje pela manhã, o presidente da Escola Nacional de Administração Público (Enap), Diogo Costa, participou de um debate virtual sobre o futuro da educação no pós-pandemia, nas Trilhas Temáticas da Semana de Inovação 2202. Ele apresentou o que chamou de sete lições para os próximos anos.

“A partir deste ano, precisamos estar mais aptos para o imprevisível”, disse Costa. Segundo ele, o governo já havia iniciado no ano passado uma transformação de suas escolas de administração – o que se acelerou em 2020. A estratégia de mudança na Enap foi reduzir o tamanho da estrutura, aumentar a agilidade na gestão e ofertar mais cursos. Houve, por exemplo, a fusão da Enap com a Escola de Administração Fazendária (Esaf), permitindo um enxugamento de 29% no número de servidores.

Os ganhos obtidos com a reestruturação da escola, afirmou Costa, são a primeira lição para o pós-pandemia. “Aumentamos nossa capacidade e fizemos mais com menos”, acrescentou. O número de capacitações realizadas já havia crescido 59% no ano passado. Isso ocorreu mesmo com uma redução de 19% no orçamento da Enap. O presidente informou que 12 unidades estaduais da Enap migraram para o sistema de EaD (educação à distância) ou para outras instituições. 

A segunda lição da Enap é a adoção cada vez maior de “estratégias transversais”, com os cursos e capacitações não mais se restringindo a uma área específica. Segundo ele, será anunciada em breve uma “mandala de competências”, para se ter um ensino que abarque mais conhecimentos e seja mais integrado. Na Semana de Inovação 2002, especialistas insistiram muito na importância de ações multidisciplinares que vão além das tradicionais especializações no setor público. 

Parcerias 

Diogo Costa chamou a terceira lição de “parcerias que vencem o medo”. O setor público, disse ele, ainda tem dificuldade para manter relações com universidades, instituições do terceiro setor – que são fundamentais para processos de inovação. O presidente contou que a Enap realizando um trabalho bem sucedido com a Le Wagon, que ensina programação digital para servidores públicos. Trata-se de um caminho para a mudança cultural do governo, evidentemente voltada para inovação em políticas públicas. 

Segundo Costa, as mudanças levaram a Enap a um “ganho de escala”, tendo uma estrutura mais enxuta. Essa foi a quarta lição deixada pela pandemia. A Escola Virtual de Governo tem 1,6 milhão de usuários ativos. O número de inscrições nos cursos saltou de 940 mil no ano passado para 1,250 milhão no ano de 2020. Foram lançados 70 novos cursos.  Não se trata de apenas de escala, de quantidade, mas também de qualidade.

Esse movimento tem levado a uma “geração de valor”, que foi a quinta lição apontada por Diogo Costa em sua exposição. “Ocorre uma transformação cultural do governo. Percebemos isso quando um órgão da administração consegue fazer cursos sem a Enap”, disse. Também importante, segundo ele, é a parceria da Enap em aprimorar serviços, com a análise de perfis de candidatos para ocupar cargos de assessoramento superior no governo federal.  

A sexta lição é a ideia de “inovação mais aberta”, adotada pela Enap. Um órgão público pode hoje levar questões ou problemas para discutir com os gestores da escola. “Já tivemos 600 propostas recebidas”, informou. Por fim, segundo Costa, a sétima lição é a “agilidade”, a prontidão de respostas em processos. Ele citou o caso da Revista do Serviço Público, que adotou o padrão de grandes publicações científicas que passaram colocar online seus artigos durante a pandemia, antes do fechamento de sua edição regular.  

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