Professor da Universidade Aberta de Portugal critica lógica binária e defende formas híbridas de educação

Educação passiva ou ativa? Virtual ou analógica? Offline ou online? O professor e doutor António Moreira participou hoje da Semana de Inovação 2020, no Café com Educação, sobre ecossistemas de aprendizagem para educação OnLife. Ele defendeu a proposta de ecossistemas constituídos por ambientes férteis e educação expandida, onde a questão central não é tanto o que se aprende, mas como, onde, quando e com quem se aprende. 

Ele explicou que o conceito de educação OnLife está relacionado à complexidade da realidade social e educativa do século XXI, ou seja, uma educação expandida, total, sem fronteiras, sem limites geográficos ou espaciais. “Educamos para a cidadania, não apenas para formar profissionais de determinadas áreas. Precisamos de uma educação que abarque todas estas dimensões. Se pensarmos em desenvolver competências ligadas à cooperação, espírito crítico, criatividade,  temos que desenvolver metodologias de construção colaborativa do conhecimento”, afirmou Moreira. 

Crítico das classificações de online e offline, virtual e analógica, educação passiva e ativa, o professor defendeu uma dimensão global da educação, o que inclui ferramentas, metodologias, ambientes, modelos, pedagogias e competências. Ele afirmou que infelizmente, parece que sempre é necessário classificar a própria educação e as metodologias. 

“Quando falam em metodologias ativas, pressupõem que existe metodologia passiva. Não concordo com a lógica binária de educação ativa e passiva. O que acontece é que em determinada altura o aluno tem um papel e em outro momento, em função da estratégia e da metodologia, ocupa outro papel”, defendeu. “O ouvir não necessariamente implica passividade. Se houver passividade do outro lado, é sinal de que há distanciamento do ponto de vista transacional. Eu considero que todas as metodologias podem ser ativas a partir do momento em que atores interagem e se comunicam para construir conhecimento.”

Moreira afirma que o desenvolvimento de metodologias de construção colaborativa do conhecimento independe de modelos off ou online. “Se falamos de colaboração, e este é um princípio fundamental, no território virtual ou digital tenho que procurar tecnologias que promovam esta colaboração, onde os atores sejam também produtores, que possam fazer a intervenção sobre a tecnologia, que transforma e reconfigura o próprio ambiente digital”.

“Temos que ter consciência que existem opções e depois teremos que nos identificar com a que se aproxima mais do nosso ideal e do nosso contexto. Não existe educação a distância no singular. Há várias formas de trabalhar o conceito EaD em função das metodologias. Precisamos de uma educação que abarque todas estas dimensões. O estudante também transforma o conhecimento. Temos que pensar em uma dimensão mais híbrida, de articulação para uma realidade mais ampla”, afirmou o professor. 

Lógica binária 

Com um currículo de graduação em História, Antônio Moreira afirmou nunca desprezar sua formação nesta área. Ele considera que comunicação é outro equívoco na lógica binária e exemplificou que agora temos ensino centrado no estudante, quando durante décadas tivemos ensino centrado no professor, como se aquilo que foi feito ao longo da história estivesse errado, quando na verdade não está. 

“A questão da passividade e atividade é exatamente isto. O professor não tem que estar sempre falando. Nem o aluno tem que estar sempre a falar para ser ativo. Eles podem articular-se e inverter os papeis. Temos que recuperar o termo tecnologias de comunicação, digitais ou analógicas. O que eu quero é utilizar esta possibilidade, diferentes ambientes para interagir. Podemos utilizar aqueles que promovem e ampliam a relação e outros que eventualmente automatizam e reduzem a ação humana”. 

A boa notícia, disse Moreira, é que há tecnologias que recorrem à lógica da inteligência humana aumentada. “Há caminhos no plural. Há modelos no plural. Há metodologias e tecnologias no plural. Felizmente esta nova realidade do século XXI nos traz muitas opções. O professor mais completo é aquele que consegue recorrer às diferentes opções. Que não elimina, não subtrai, que não substitui. Ele utiliza tudo que pode ser útil para seu processo pedagógico”, afirmou. 

Por fim, o palestrante defendeu a articulação de visões mais clássicas com visões mais disruptivas no sentido da mudança e da transformação. “A questão é como eu continuo a ter uma ação humana preponderante na sociedade, em uma era e em uma realidade educativa cada vez mais hiperconectadas. Este equilíbrio é que vai ser fundamental para o sucesso de um futuro próximo”, finalizou. 

Este tema instiga você?  Tem mais Café com Educação nesta semana 

Na próxima quinta, 19/11, às 8:00h, Sara Trindade, pós-doutora em tecnologias educativas pela Universidade de Coimbra, estará em um novo Café com Educação, sobre Competências Digitais e aprendizagem mediada pela tecnologia. O evento tem capacidade limitada de inscritos. 

Como um conteúdo extra, fique com a dica do artigo Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife, do professor António Moreira.

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