“O futuro será mais humano e flexível no trabalho, com lideranças mais empáticas, cada um lidando de forma diferente com as necessidades que se apresentam". É assim que Bento Bueno, diretor regional de vendas da Oracle, avalia a oportunidade com o 'piloto forçado' do trabalho remoto que atingiu setor público e privado com a pandemia. Bueno participou da 2ª edição do Café com Debate, na última sexta-feira (22).  

Bueno aponta seis desafios que se sobressaem para os líderes neste período de trabalho remoto "forçado". São eles: como manter uma boa produtividade; como criar um senso de pertencimento de equipe; como adotar uma comunicação efetiva em diferentes ambientes; como fomentar a motivação do time; como manter relações de confiança com equipes e clientes; e como assegurar o bem-estar dos colaboradores, considerando o equilíbrio entre as relações profissionais e as familiares.  

Esse último ponto, afirma, traz desafios para muitas pessoas por terem de conciliar, por exemplo, outras pessoas também em trabalho remoto compartilhando espaço e atenção, e crianças em idade escolar em homeschooling. Para ele, o fator empatia é fundamental para garantir conexões, manter a produtividade e o bem-estar das pessoas. "O fato de ser um home office 'forçado' gera situações como essa. E temos que ter consciência disso no momento de trabalhar com a equipe, definir as metas e tratar individualmente cada um dos colaboradores". 

Confira o vídeo:

Novas prioridades para lideranças

“Devemos aproveitar o momento para compartilhar nossos propósitos sobre como agregar valor maior para o governo e para o cidadão na ponta”, acredita o executivo da Oracle. "Para as entregas da equipe, é preciso equilíbrio e o líder deve manter-se sempre próximo e presente. Fazer encontros rápidos em vez de séries de reuniões demoradas costuma funcionar melhor”, sugeriu. 

Bento elencou as cinco prioridades na liderança de times remotos: ser um líder estratégico, que olhe de maneira estratégica onde aprender e como trabalhar melhor. O segundo é criar estabilidade e segurança para a nova dinâmica de trabalho, permitindo uma flexibilidade de acordo com a realidade de cada um.  

Outra questão é criar um ambiente de transparência e de tolerância ao erro, em que o líder também se coloque vulnerável ao erro. "Neste momento, ninguém tem a resposta perfeita. Ninguém sabe exatamente qual é a resposta adequada para um período de pandemia", afirma. E ter esse ambiente incentiva a inovação e criação de alternativas para resolução de problemas.  

Além disso, é uma oportunidade que os líderes têm de identificar oportunidades para o futuro, como, por exemplo fomentar um senso de pertencimento na equipe norteado pelos propósitos. Por fim, o executivo da Oracle apontou a prioridade de cultivar uma cultura de conexões reais, a partir dos valores da organização, dos líderes e dos colaboradores.  

Iniciativas da Oracle

Bento elogiou o quanto a Enap "tem colocado o pé no acelerador" no propósito de compartilhar conhecimento e apoiar a transformação cultural do serviço público e uso de novas tecnologias. E compartilhou algumas iniciativas da empresa para cultivar cultura de conexões reais e  o bem-estar das pessoas.  

Dentre elas, destacam-se: 

  • Happy hour virtual: em um bate-papo, um chef ensina um prato diferente ou um bartender ensina aos colaboradores como elaborar um novo drink.
  • Comitês de diversidade e inclusão e de lideranças femininas: apesar de já existirem, as ações e engajamento se intensificaram no período da crise, agregando mais pessoas no formato virtual e trabalhando a corresponsabilidade de homens e mulheres em tempo de isolamento social
  • Amigo secreto do bem: quatro pessoas são selecionadas, de forma randômica, por meio de um aplicativo e conversam, por 15 minutos, com colegas da empresa para compartilhar experiências, escutar o outro e criar conexões. 
  • Voluntariado #TamoJunto: como apoiar comunidades e projetos sociais para enfrentamento da pandemia.  

Em relação ao trabalho pós-pandemia, Bueno trouxe dados de pesquisa recente da Fundação Dom Cabral, que aponta que 54% das pessoas querem continuar trabalhando em casa. Embora ainda seja cedo para avaliar se o atual modelo de trabalho será o modelo do futuro, ele avalia que esse número é algo que todas as empresas, inclusive governo, vão ter que "olhar com muito carinho".  

"E [terão que] pensar: como teremos as pessoas produzindo no seu melhor e estando felizes produzindo nesse melhor?", questiona. E finaliza: "A tendência, passada essa pandemia, é que a gente nunca mais volte a ser o que era antes".  

Próxima edição irá trazer a experiência da CGU

O próximo Café com Debate será na sexta-feira (29/05/2020), às 10h, com Priscila Escórcio de França Diniz, gerente do Escritório de Projetos da Controladoria-Geral da União (CGU). As inscrições já estão abertas em https://bit.ly/2A5ODT2