Notícias

« Voltar

Cepal apresenta relatório anual Panorama Social 2016 em Brasília

Cepal apresenta relatório anual Panorama Social 2016 em Brasília

Por: CGCE

Publicação: 19/06/2017 | 16:30

Última modificação: 19/06/2017 | 16:46

A desigualdade social é tema central do Panorama Social da América Latina 2016, divulgado nesta segunda-feira (19), na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em Brasília. O relatório apresentado pela diretora da Divisão de Desenvolvimento Social da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), Laís Abramo, aponta para as várias dimensões do fenômeno e analisa os eixos estruturantes da desigualdade: nível socioeconômico, gênero, raça e etnia, idade e território.

O estudo se aprofunda nas desigualdades no uso do tempo entre homens e mulheres, naquelas associadas à condição étnico-racial e nas que se evidenciam em distintas etapas do ciclo da vida. São analisadas as tendências recentes quanto aos recursos públicos disponíveis para a promoção do desenvolvimento social inclusivo e a   estrutura da propriedade (de ativos físicos e financeiros) como um fator fundamental para a reprodução da desigualdade na região

“O panorama parte da ideia de que a desigualdade social é um fenômeno estrutural, um desafio que conspira contra o desenvolvimento sustentável” afirmou Laís Abramo. A representante da Cepal ressaltou, ainda, que a desigualdade social é tema central na agenda 2030 adotada por todos os países da região em 2015 e que a agenda defende não deixar “ninguém para trás”.

Laís Abramo salientou o fato de que as discussões na América Latina, historicamente, estão concentradas apenas na distribuição de renda. “Esse é o elemento central, mas não esgota o tema da desigualdade”, afirmou.

A noção de igualdade da Cepal refere-se à igualdade no exercício de direitos e no desenvolvimento de capacidades, ao reconhecimento recíproco dos atores e à igualdade de gênero, étnica e racial, entre outros.

“As políticas públicas devem garantir a titularidade de direitos, deve-se reconhecer e potencializar o trabalho produtivo, decente e de qualidade como a chave da igualdade e como instrumento por excelência na construção do bem-estar, e se deve universalizar a proteção social ao longo do ciclo da vida (a infância e adolescência, a juventude, a fase adulta e a velhice), com um olhar sensível para as diferenças”, recomenda Laís.

O Panorama Social da América Latina 2016 foi lançado recentemente, no dia 30 de maio, em Santiago do Chile. Agora, encontra-se em fase de divulgação no Brasil. O documento traz uma análise dos principais desafios que a região enfrenta para cumprimento dos objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Na abertura do evento, o diretor do Escritório da Cepal em Brasília, Carlos Mussi, afirmou que o panorama discute a questão do desenvolvimento, mas que “cabe ao Estado elaborar políticas centradas para diminuir essas desigualdades”. Segundo ele, “o documento é muito rico, pois apropria a discussão sobre vários temas e pontos sobre as políticas sociais na região a partir da experiência brasileira”.

Carlos disse ainda que o relatório “traça uma matriz das desigualdades da América Latina, a partir de quais os fatores que levam a região a ter uma desigualdade tão acentuada, seja na questão de renda, de gênero e de raça”.

O Documento Informativo do Relatório Panorama Social da América Latina 2016 pode ser acessado clicando aqui. A íntegra do relatório será publicada até o final de julho no site da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal): http://www.cepal.org/pt-br